O RPM lança neste domingo no Faustão seu CD de inéditas Elektra, o primeiro desde Quatro Coiotes, de 1988. O álbum físico só será lançado daqui a dois meses com bônus tracks, remixes e outras bossas para os fãs. A banda inova em termos de lançamentos com o disco gradualmente disponível para download gratuito pela internet. A lógica da banda é que quem copia online não é comprador de CD e vice versa.
Na noite deste domingo, depois do lançamento no Faustão, estarão disponíveis as quatro primeiras faixas: Crepúsculo, Dois Olhos Verdes, Muito Tudo e Ela É Demais. Com intervalos de três ou quatro semanas, as demais estarão disponíveis no site da banda em grupos de três ou quatro arquivos.
Esta quinta volta do RPM traz sua formação consagrada com Paulo Ricardo (voz e baixo), Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e Paulo P.A.Pagni (bateria). Os discos Revoluções Por Minuto (1985), RPM Ao Vivo (1986) e Quatro Coiotes estão disponíveis na caixa Revolução! RPM 25, incluindo o DVD da turnê do disco ao vivo. Os dois primeiros e o DVD também estão à venda separados em lojas virtuais. O MTV RPM, ao vivo de 2002, está disponível apenas na internet.
Pelas quatro músicas que ouvi o disco se encaixa na categoria de comercial bem feito. Ênfase em sons eletrônicos com efeitos e loops seqüenciados, batida dançante, guitarra colorindo as levadas com solos aqui e ali. Os timbres dos teclados são mais atuais mas o som tem a assinatura característica do RPM, não houve uma revolução sonora na linguagem do grupo. Luiz Schiavon explica que estão fazendo a mesma coisa do primeiro CD deles, que tinha músicas mais comerciais num lado e mais complexas do outro:
- Pense no mercado de rock atual. Se chegássemos com P´resse Vício a molecada iria entender? As rádios iriam tocar? Seria um furo n´água, pura perda de tempo. É a chance de chamarmos a atenção dessa geração para algo mais sério. Posso estar errado pelo envolvimento, mas essas quatro músicas são disparadamente melhores do que qualquer coisa que existe hoje no mercado de rock (sem falsa modéstia !). Os arranjos são densos, as letras tem conteúdo - explica Sciavon.
Crepúsculo tem tudo para invadir as pistas de dança, como as demais, mas esta celebra especificamente a vida noturna: “Eu quero sempre mais/ Esta noite nós somos imortais/ Vida louca, um beijo nessa boca/ Vida louca, qualquer loucura é pouca.”
Dois Olhos Verdes, o primeiro single para as rádios, fala de ser atropelado pelo amor depois de não acreditar mais nele. “Quem sabe o amor não seja uma suposição/ Um ato do acaso, alegoria de uma ilusão/ Você não contava que aquilo ainda pudesse acontecer.”
Muito Tudo prega a alienação: “Eu não quero falar da violência nas cidades/ Eu não quero saber qual é a grande novidade/ Eu não tenho paciência para a política e o poder/ Eu não vou dizer nada se eu não sei o que dizer.”
Ela É Demais fala de uma mulher implacável: “Dizem que o amor é um cão no inferno/ Do jeito que ela me olha isso não vai dar certo/ Ela é predadora, um animal selvagem/Que mata só por prazer, só de sacanagem.”
Fonte: Globo.com